Mudanças climáticas ameaçam o fundo do mar

C&T Meio Ambiente - BR

O presidente do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), Hernan Chaimovich, lançou nesta quarta-feira (6) o documentário Banco de Abrolhos: Maior Complexo Coralíneo do Atlântico Sul. O filme, de 30 minutos, fala sobre o maior complexo coralíneo do oceano no Hemisfério Sul, localizado no Atlântico, em uma área de 46 quilômetros quadrados (km²) entre o sul da Bahia e o norte do Espírito Santo.

De acordo com o Chaimovich, as mudanças climáticas também ameaçam a biodiversidade marinha. “No mar, acontecem coisas dramáticas. A temperatura vem subindo em algumas regiões e gerando branqueamento de coral, efeito da perda de microalgas", disse o presidente do CNPq.

Responsável pelo documentário e pelas pesquisas, a Rede Abrolhos observou aumento da temperatura média da água no final do verão de 2016 e anomalias térmicas nos últimos dois anos. O grupo realiza um registro sequencial do fenômeno de branqueamento e avalia a resistência dos micro-organismos ao calor. A perda de algas pode gerar morte de recife coralíneo – motivo de estudos complementares, acerca de sua capacidade de recuperação.

Nas palavras de Chaimovich, o documentário representa "um banho de ciência e compromisso com o Brasil". O presidente do CNPq lembrou que a Rede Abrolhos é um dos 30 sítios de referência do Programa de Pesquisa Ecológica da Longa Duração (Peld). "Temos algumas iniciativas que eu definiria como joias da coroa e uma delas é o Peld, criado em 1999 para gerar conhecimento sobre os nossos ecossistemas e a biodiversidade que eles abrigam."

Dimensão

O pesquisador Gilberto Amado-Filho, do Jardim Botânico do Rio de Janeiro (JBRJ), ressalta que o Banco de Abrolhos tem as dimensões do estado da Paraíba. "Então, é como se a gente tivesse uma Paraíba inteira a até 120 metros de profundidade, em uma região conhecida como zona fótica, na qual a luz penetra e permite que os organismos possam fazer fotossíntese e se desenvolver, com bastante biodiversidade, de onde se tira o sustento de milhares de pessoas em cidades costeiras como Caravelas e Nova Viçosa."

No documentário, de 30 minutos, o pesquisador Rodrigo Moura, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), explica que "recifes são os sistemas com a maior biodiversidade do planeta, importantes também para o ciclo do carbono e o equilíbrio das condições do oceano, como provedores de serviços ecossistêmicos muito valiosos, a exemplo de recursos pesqueiros. Além disso, são registradores da história climática do planeta".

A Rede Abrolhos integra ações institucionais com objetivo de caracterizar, descrever e monitorar os diferentes habitats do Banco dos Abrolhos. "Somos uma rede, formato importante para estudos multidisciplinares e até interdisciplinares", definiu o pesquisador Alex Bastos, da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes). "

(Agência Gestão CT&I, com informações do MCTIC)