Estudo prevê clima caótico até 2100

C&T Meio Ambiente - BR

Até 2100, o clima tende a "ficar mais caótico", com menor grau de previsibilidade, longos períodos secos e extremos de chuva intensa. O alerta foi feito pelo coordenador do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT) para Mudanças Climáticas, Carlos Nobre, com base nos estudos governamentais que integram o livro Modelagem Climática e Vulnerabilidades Setoriais à Mudança do Clima no Brasil.


"Os impactos e os riscos são tão grandes que, na minha opinião, não existe outra possibilidade que não seja a mais rápida redução de gases de efeito estufa, como a COP 21 [21ª Conferência do Clima] preconizou: zerar as emissões até 2050 ou 2060 e chegar a emissões negativas, ou seja, tirar CO2 [dióxido de carbono] da atmosfera", afirmou o pesquisador. "Esse é um enorme desafio, mas é um problema do qual não temos como fugir se nós não quisermos entregar aos nossos netos e bisnetos um mundo muito difícil de viver."


A vulnerabilidade a desastres naturais vem se intensificando nas últimas décadas e, segundo Nobre, combina duas variáveis em expansão: os extremos climáticos e a exposição ao perigo. "Nós passamos 60 anos de urbanização caótica no Brasil. Temos hoje 5 milhões de pessoas vivendo em áreas de risco nas periferias das grandes cidades. É um dos mais altos índices do mundo."


O livro sugere que o Sul, o Sudeste e grande parte do litoral ficarão mais suscetíveis a inundações bruscas, enxurradas e alagamentos. Para as demais regiões do país, o risco pode diminuir devido à queda dos índices de chuva. Nobre citou dados que indicam que, se a temperatura subir 3ºC em 2 mil anos, o nível do mar subiria 10 metros. "Várias cidades teriam que ser abandonadas", previu. "Londres só tem solução de engenharia para até cinco metros."


Setores


O livro traz simulações em escala regional e análises de especialistas sobre possíveis impactos de cenários de emissão de gases até 2100 em sete setores: agricultura, biodiversidade, cidades, desastres naturais, energias renováveis, recursos hídricos e saúde humana. Nobre destacou efeitos das mudanças climáticas sobre os biomas, como retração de florestas e expansão de vegetações abertas.


O documento aponta que Cerrado e Caatinga teriam maior estabilidade para manter a cobertura nativa do solo, mas, em compensação, a Amazônia seria fortemente afetada em sua parte oriental. Na agropecuária, a projeção de aumento da frequência de dias quentes, com temperatura superior a 34 graus Celsius (ºC), pode prejudicar a produção de café, feijão e leite, e a criação de frangos e suínos. Uma das soluções apontadas para o cultivo de vegetais seria a busca por ambientes tolerantes ao calor e ao déficit hídrico.


Para recursos hídricos, o estudo evidencia anomalias de escoamento em regiões hidrográficas, com redução da água doce disponível em praticamente todo o território nacional. Na visão do climatologista, o potencial hidrelétrico do país precisa ser encarado com cuidado, com base em um dos mapas do livro. "Detalhamentos mostram que a usina de Belo Monte, no futuro, pode perder pelo menos um terço de sua capacidade", comentou. "Já a energia eólica ganha com a ampliação da velocidade dos ventos e pode se instalar do Rio Grande do Sul ao Amapá."


Sobre energia solar, o estudo verificou valores simulados no fim do século menores do que os

atuais. As quedas de intensidade de radiação variam de 4% a 8% em todo o Brasil. Em relação ao biodiesel, estimou-se dificuldades na produção de girassol e soja e menor alteração para cana-de-açúcar e mamona, cujas culturas, no entanto, podem sofrem com a carência hídrica.


O Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) elaborou a publicação em parceria com a Rede Brasileira de Pesquisas sobre Mudanças Climáticas Globais (Rede Clima). Para mais informações, acesse o livro completo neste link.


(Agência Gestão CT&I, com informações do MCTIC)

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