Chile recebe primeiro espectrógrafo de alta resolução construído no Brasil

C&T Internacional - Internacional

Pesquisadores do Laboratório Nacional de Astrofísica (LNA) vão entregar em julho o primeiro espectrógrafo de alta resolução construído no Brasil. O instrumento tem capacidade de aperfeiçoar as pesquisas astronômicas, permitindo uma medida mais acurada da matéria que compõe os objetos celestes. Chamado Steles (Soar Telescope Èchelle Spectrograph), o equipamento será instalado no telescópio Soar, no Chile, por um consórcio internacional que reúne parceiros brasileiros, norte-americanos e chilenos.


"Esse instrumento pega a luz de uma estrela, de uma galáxia e separa em comprimentos de onda. O diferencial é que ele é capaz de observar numa única imagem desde o ultravioleta até próximo do infravermelho", explicou o diretor do LNA, Bruno Castilho. “Ele coletará informações como a temperatura, a gravidade da superfície, a rotação e a composição química das estrelas com uma observação apenas. Poucos instrumentos instalados no mundo são capazes disso."


O equipamento é composto por mais de cinco mil peças, a maior parte projetada por engenheiros e pesquisadores do LNA. Os investimentos para a conclusão do Steles somam cerca de R$ 2,5 milhões. "O projeto, a construção, a montagem e toda a parte mecânica foram feitos no Brasil. O que não existia no país nós projetamos no LNA e produzimos em fábricas da região. Tentamos nacionalizar ao máximo o projeto, importando poucos componentes, como os elementos ópticos", informou Castilho.


Para o diretor do LNA, isso comprova a capacidade brasileira em inovar e capacitar pessoas para atuar em ciência, tecnologia e inovação (CT&I). "A gente conseguiu construir o equipamento. Isso gera uma capacitação que é a gente poder construir instrumentos para o Brasil e até para o mercado internacional. Podemos fabricar no Brasil", ressaltou.


Espectroscopia


A espectroscopia é uma técnica que permite captar a luz do corpo celeste que está sendo observado e separá-la em seus diversos comprimentos de onda. É o efeito similar ao que ocorre com as gotas d'água na nossa atmosfera, que dispersam a luz do sol e a separa em seus diversos comprimentos de onda, resultando em um arco-íris. O estudo das linhas de absorção da luz permite o cálculo da quantidade de elementos existentes na atmosfera de um corpo celeste, como cálcio ou ferro, por exemplo.


"O Steles também consegue observar na região do ultravioleta, e com isso a gente pode, por exemplo, observar as linhas de berílio, elemento químico formado no início do universo, durante o Big Bang, daí pode-se determinar a idade das estrelas e encontrar respostas sobre a evolução estelar. O Steles vai suprir essa lacuna para pesquisadores brasileiros e para a comunidade internacional", prevê Castilho.


(Agência Gestão CT&I, com informações do MCTIC)


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