“Educação científica deve dialogar com realidade socioambiental do aluno”, defende professor

C&T Educação - BR

Professor ​defende​ ​que​ ​o​ ​modelo​ ​educacional​ ​mais​ ​adequado​ ​é​ ​o​ ​que​ ​está  focado​ ​no​ ​ambiente​ ​em​ ​que​ ​o​ ​aluno​ ​está​ ​inserido - Foto: Alex Ferreira/ Câmara dos DeputadosProfessor ​defende​ ​que​ ​o​ ​modelo​ ​educacional​ ​mais​ ​adequado​ ​é​ ​o​ ​que​ ​está focado​ ​no​ ​ambiente​ ​em​ ​que​ ​o​ ​aluno​ ​está​ ​inserido - Foto: Alex Ferreira/ Câmara dos DeputadosA Frente Parlamentar Mista de Educação ouviu nesta quarta-feira (22) os conselhos de um especialista em iniciação científica para promover uma profunda melhoria no ensino de ciências do Brasil. Marcio de Andrade Batista é o único brasileiro indicado para o Global Teacher Prize, considerado o Prêmio Nobel da Educação. Ele desenvolveu um método de iniciação científica na região Centro-Oeste, usando como base conhecimentos da atividade extrativista local.

O professor, que dá aulas regulares na Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT), divide o tempo livre entre a família e um trabalho voluntário com alunos do ensino médio no interior do estado. Ele orienta projetos de pesquisa que surgem dos próprios alunos após serem estimulados a pensar a ciência de uma forma diferente da que é apresentada tradicionalmente na sala de aula.

O projeto nasceu de uma constatação: em locais remotos do Brasil, os estudantes têm enorme dificuldade em obter acesso à pesquisa científica – principalmente meninas, vinda de famílias pobres. O educador defende que o modelo educacional mais adequado é o que está focado no ambiente em que o aluno está inserido.

“Existe um distanciamento entre o que acontece em sala de aula e a realidade em que o aluno vive. Um estudante não vai conseguir entender como a matemática e a ciência são importantes sem que elas estejam presentes no dia a dia dele”, disse o professor.

Ele citou como exemplo de sucesso o projeto que nasceu durante uma visita a Juína (MT). Andrade viu na atividade extrativista do baru, um tipo de castanha comestível, a chance de trabalhar a percepção de alunos de escolas locais. “Ela oferece um potencial para transformar-se em outros produtos. O que bastava era dar às crianças condições de imaginar isso", explica.

A metodologia baseada na aplicação das ciências à vida cotidiana dos estudantes teve frutos. A estudante, Bianca de Oliveira, ficou em terceiro lugar na edição de 2012 do Prêmio Jovem Cientista, com um projeto de criação de farinhas integrais a partir do baru. “O modelo de educação cientifica que interage com a realidade socioambiental do aluno vale para todo o País. Sem falar que é uma ponte que aproxima a sala de aula da realidade em que ele vive”, destacou.

Em outra escola do estado, o projeto conduzido pelo professor incentivou os jovens a fabricar pães e sorvetes com o soro do queijo produzido por pequenos produtores. “Isso pode até ser usado na merenda escolar. Novamente, incentivamos os alunos a usarem a ciência em sua realidade. É muito melhor que apenas tentarmos ensinar ciência tradicional na sala de aula. E estamos descobrindo maneiras de melhorar suas vidas", diz o professor.

O projeto de iniciação científica trabalha também nos jovens a “veia” do empreendedorismo. Segundo o educador, o projeto mostra como gerar valor a partir do que há disponível. O conhecimento tradicional é preservado e ganha o saber científico tecnológico.

“Eu consigo aplicar o que o meu plano de ensino manda e de quebra mostro quando aplicar esses conhecimentos de sala de aula no dia a dia de cada aluno”, explicou o professor, ao citar como exemplo de ferramenta para a divulgação científica uma revista em quadrinhos com informações sobre o Bauruzeiro. “Há uma série de alternativas que podem ser levadas para sala de aula que podem resultar em ações inovadoras. Na revistinha,  a linguagem técnica foi adaptada para levar o conhecimento não só aos alunos e como também às suas família.”

Desafios

Questionado pelo presidente da Frente Parlamentar Mista de Educação, deputado Alex Canziani (PTB-RR), sobre como foi a receptividade do projeto nas escolas, o professor Marcio de Andrade Batista disse que a principal dificuldade nas primeiras abordagens é a resistência em entender como o projeto vai funcionar sem que haja remuneração ao docente.

“A primeira coisa que ouvia era: ‘não temos dinheiro para remuneração’. Mas com o tempo, fica clara a necessidade de preencher a lacuna que a escola não atende no processo educacional”, relatou o professor da UFMT. “Fazer com que um aluno enxergue e aplique a ciência será o grande desafio. O papel de todos os professores deve ser permitir que os alunos identifiquem, questionem e busquem soluções para os problemas brasileiros.”

Marcio de Andrade foi categórico ao afirmar que é preciso valorizar o papel do professor para a sociedade. “Deveríamos começar um trabalho nacional para mostrar o trabalho do professor. O apoio não é só financeiro, mas também um bom plano de carreira e inserção de eficientes políticas públicas de educação e apoio tecnológico vai estimular novos professores a serem agentes de transformação social”, disse.

Nobel da educação

O Engenheiro químico e professor da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) foi indicado ao Global Teacher Prize na edição de 2015. A premiação é oferecida pela Fundação Varkey. A intenção é mostrar o importante papel que os professores desempenham, reconhecendo um educador excepcional, que tenha feito um excelente trabalho em sua região.

A professora Nancie Atwell, dos Estados Unidos, foi a ganhadora do prêmio em 2015. Professora de inglês, ela deixa que os alunos escolham os livros que lerão e os assuntos sobre os quais escreverão nas aulas. Com a metodologia, cada aluno consegue ler em média 40 livros de 14 gêneros literários, além de escrever cerca de 21 artigos de 13 gêneros. Devido ao encorajamento e apoio, muitos dos seus alunos tornaram-se autores.

(Felipe Linhares, da Agência Gestão CT&I)

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